quinta-feira, 24 de abril de 2014

Cabide e Varal

Cabide

Penduradas
as
camisas
vestem
cabide


Varal

Suspensas
no
ar
voam
camisas
secas



P.S.: Estes são poemas aldravistas, inspirados no movimento que nasceu em Mariana/MG, trata-se de poesia contemporânea que tem como lema poemas sintéticos que, ao serem lidos, transmitem a idéia de flash, de partes contempladas em expressões e formas. Ao poeta fica o desafio de fazer uma poesia curta, com conteúdo e com o mínimo de palavras. Por isso são poemas curtinhos, de no máximo, seis palavras. O nome do movimento é uma referência a aldrave, o utensílio com o qual se bate nas portas para que estas sejam abertas. Assim, o aldravismo pode ser caracterizado pela arte que chama atenção, que insiste, que abre portas para as interpretações inusitadas dos eventos cotidianos, em relatos daquilo que só o artista viu

Poema-pão

Pra viver eu preciso de poesia
de verso de noite
de rima de dia

Careço dessa asa pequena
que me alça o sonho
e que me ampara
do enfadonho

Necessito destas luzes escritas
desse buquê de letras bonitas
que como flores
enfeitam meu jardim com cores

Preciso de poesia
para me servir de salvação
e de terapia

Me alimento de poema
como se ele fosse meu pão
fonte de transcendência e magia
que deixa a minha vida maior
e menos vazia

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Simona, aí vamos nós de novo!

Simona meu pensamento é uma espécie de máquina do tempo e toda vez que penso em você eu viajo para aquela noite que nos conhecemos num bar que parecia só mais uma ilusão no meio da madrugada. Então aqui vamos nós de novo...de volta para aquele balcão, o que você bebia mesmo? Acho que era vinho e eu uma cerveja. Fiquei um longo tempo te observando, querendo falar contigo, mas não sabia nem por onde começar. Acabei optando por:
- Você se incomodaria se sentasse ao seu lado?
Algumas horas depois e já tínhamos falado quase um milhão de palavras  e contado a vida toda um pro outro. Acho que a maioria de nós se relaciona afetivamente com a memória de alguém que encontramos só uma vez na vida, e mesmo que você não veja mais aquela pessoa, houve certo ponto na história onde você estava tão envolvido com ela, que sempre que se lembra dessa pessoa é como estar de volta a um momento que pode ser revivido a qualquer tempo.

Uma bolha de sabão chamada Simona*

Quando eu te vi pela primeira vez quem falou comigo não foi a sua boca, mas seus olhos...por isso palavras serão sempre imperfeitas para descrever meus sentimentos por você.
Jamais vou me esquecer da frase que me disse naquela noite: “Você foi o rapaz mais encantador que já conheci”.Algo que nem todo mundo dá valor porque parece uma frase do século passado ou fora de moda, mas que eu guardo essa frase na minha memória mais profunda, meu cofre mental , onde nem mesmo o tempo descobrirá a combinação.
Quando nos despedimos você ainda não sabia que eu tinha rabiscado num guardanapo um poema que dizia mais ou menos assim:

Eu gosto de soprar bolhas de sabão
lindas bolhas que flutuam no ar
e das quais algumas voam tão alto
que quase tocam as nuvens
e assim como meus sonhos
eles desaparecem e morrem
sem deixar nenhum vestígio

P.S.: *Simona é a minha nova musa, ou seja, objeto de inspiração imaginário, surgiu da música do James Blunt “1973”.Simona é como Chiara, minha antiga musa, que agora reencarna no “corpo” de Simona.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Escombros do dia

Já não sei mais que horas são
desde quando perdi meu relógio
agora é o único tempo que tenho
preso neste planeta de dívida
pois quanto mais pago, mais eu devo

Então para esquecer deste tormento
me volto para o céu com esperança
lá a lua sempre calma apenas flutua
e até onde a minha vista alcança
me lembra do tempo que eu
ainda era só uma criança

E daqui dos escombros do meu dia
pelas antenas formadas pelos meus cabelos
transmito minha mais sincera poesia
pelo ar viaja a música da minha angustia
e neste hiato entre o silencio e a telepatia
eu ignoro o que acontece lá fora

Não cabe no poema, mas cabe no coração
o meu amor pelas mulheres difíceis
não por causa da conquista, mas pela opção
e quem saberá do que ainda depende

o cumprimento da minha missão

Vivo em dois mundos

Vivo com um pé neste mundo
e com outro no meu mundo
caminho por estes mapas incompletos
e tropeço nestes acidentes geográficos
a qual chamam de montanhas, rios e mares

Moro em duas cidades lindas :
uma perto do mar
outra no meio do deserto
numa delas eu fui nuvem
noutra sou aquele arrepio
que percorre frio a espinha

Resido em dois hemisférios:
um ao sul onde a ordem
dos acontecimentos é invertida
lá a areia está se transformando
em pedra e a pedra em lava vulcânica
ao norte edifiquei um império
e represei um rio para formar um lago
onde em suas margens construirei
a casa onde o sol cegará meus olhos

terça-feira, 15 de abril de 2014

Mente aberta, coração fechado.

Mente aberta, mas coração fechado. De nada adianta ter a mente aberta, para as mudanças da sociedade, para as novidades do mundo, para a inovação e para as novas tecnologias, se não se tiver o coração aberto para o incógnito. 
É muito fácil absorver novas idéias e adquirir novos conhecimentos, mas é muito difícil deixar entrar no coração o novo, a gente tende a gostar e mesmo amar tudo aquilo que é familiar ou seguro. O desconhecido causa muito mais medo do que confiança. Por isso ter um coração aberto é tarefa para corajosos