Para se falar da morte é preciso se falar de vida, das mudanças que sofremos ao longo do tempo tanto físicas como emocionais, da nossa história tão cheia de vales e montanhas, das pessoas que cruzaram nossos caminhos, da transitoriedade de todas situações e momentos, das coisas que passaram e daquelas que ficaram...possuímos apenas aquilo que não perderemos com a morte.
Talvez a morte solitária seja um dos nossos maiores temores, mas talvez também seja fruto da atitude das pessoas que ao invés de construírem pontes constroem paredes em torno de si, para uns uma certa coisa é veneno, já para outros antídoto.
A mente tem um passo ligeiro e asas velozes,mas o coração, ainda que não seja tão rápido, vai mais ao longe.
Um dia é uma representação microscópica do que é uma vida inteira, o amanhecer representa o nosso nascimento (a cama em manhãs frias lembra muito o ventre de nossas mães), e à medida que vamos acordando e vivenciando aquele dia temos a oportunidade de mudar tudo, de fazer escolhas , de criar e cessar histórias, de construir ou destruir...e quando chega a noite morremos para aquele dia, nos deitamos para sonhar e descansar daquele dia-vida e despertar em outra manhã-nascimento.
A vida só se dá pra quem se deu, como diria Vinícius de Moraes, aproveitar a vida tem um sentido diferente para cada um de nós, essa eterna busca, o constante crescimento, essas intermináveis lembranças, esse permanente esquecimento, essa instabilidade emocional , as certezas descobertas e as incertezas variáveis , o que foi no passado duro de sofrer, amanhã será doce de recordar.
A vida ensina para aqueles que estão dispostos a aprender com ela, quando um dia me queixei que não podia comprar um sapato de 500 reais logo que saí da loja cruzei com um mendigo que não tinha pés, além de me sentir grato e comovido ao mesmo tempo, imediatamente lembrei do provérbio árabe que estava dependurado na porta de um amigo, Quem compra o que não precisa venderá o que precisa.
A morte pode estar na esquina, pedindo carona na estrada, escondida dentro da mala ou escancarada na sala, a morte é certa embora não nos seja revelada a hora exata em que ela irá acontecer e que bom que seja assim,se a vida for mesmo o filme é preferível que o gênero seja suspense e não terror.Se houver algo do lado de lá, tenho sinto que será bom.
Perto do fim não quero me sentir como uma nuvem que passou e não trouxe chuva, meu maior desejo em vida é ter uma boa morte.
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