"Quase sempre as mulheres fingem desprezar o que mais vivamente desejam." William Shakespeare
Uma vez Ingrid me disse, e eu escrevi com as minhas próprias palavras:
Poeta, pouco antes de eu me perder de você eu estava tão inconstante e perdida. Deus, como eu te amei e como eu me odiei.Por tudo que eu te fiz, eu sabia que você sentia ciúmes de mim, mas não queria que sofresse tanto por isso. Eu sempre dizia no meio de toda aquela escuridão: Onde é que você está? E te encontrava sorrindo e chorando nas paredes daquela clinica branca, por mais que eu estivesse com outras pessoas uma parte de mim sempre te amará, por mais difícil que isso seja de entender.
Em todos lugares que tive em sempre desenhava um mapa do Brasil com seu rosto no meio dele.A Ju sempre vai te amar como pai, ela fala de você com tanto carinho, eu leio para ela suas histórias e ela dorme sempre pensando quando nos reencontraremos de novo.Nos meus quadros tem sempre um homem, ás vezes é o meu pai, outras é você.
Sei que não preciso pedir desculpas, mas sou atraída por aqueles que não tenho medo, lembro de muito coisa que você me disse, elas ficam aqui fazendo eco, amor é tocar almas, como as teclas de um piano, como as cordas do Violoncelo. Você precisa saber que ainda tantas partes de você se derramam para fora de mim. Eu não espero que me perdoe.
Ingrid seria uma personagem perfeita para alguém como eu se fosse feita apenas de gás e de sonho, mas por ser feita de carne, ossos e cabelos repousa de tempos em tempos no meu colo ou no aeroporto. Ela seria só mais uma peça do quebra-cabeças se não fosse pela pequena Ju e pelas estrelas cadentes de uma noite de maio, contamos 25 e foram 25 pedidos.Eu fiz um pedido para cada uma estrela que riscava o céu, ela me jurou que todos seus pedidos foram iguais.Duvido.
Nem Ingrid e nem nenhuma outra mulher na minha vida será secreta, no máximo posso trocar o nome ou não publicar sua fotografia. Posso, para disfarçar caso a dama não queira tanta exposição , adicionar poesia e assim despistar quem não devia saber.De Ingrid sempre tive autorização, para contar sobre nós, ela diz que sempre gostou de espelhos.Também pudera, com aqueles olhos de Madagascar, boca de casca de maça e cabelos loiros como um campo de trigo só poderia adorar espelhos mesmo.
O casamento com o músico inglês não deu certo e eu juro que não fiz nada, sempre quis sua felicidade, mas não escondo quando soube que um ano e meio depois eles já estavam se separando. Nem que quando a encontrei no aeroporto parecia que era novamente a primeira vez que via as duas.
O certo é que eu não sairia impune dessa relação, seja pelo desejo ou pelo ciúme, ela que depois disse que estava indo pra Austrália e da Jú que mora com a tia.Ingrid sempre foi uma encantadora pessoa, uma mulher cheia de alternativas, embora muito perdida.Eu confesso que preciso de um norte, mais uma guia, porém ela sempre esteve muito mais pra sul.
Ingrid é santa, mãe, ora de joelhos, mas também é pecadora, clitóris pequeno, gozo enorme, muito além do orgasmo. Insiste em cada dia inventar um meridiano para morar. Tem sempre um sol brilhando por de trás de suas nuvens, seu veleiro, sem âncoras, tem vez que pega o vento leste e vem aportar no meu peito, seu porto.Ingrid é uma eterna órfã do futuro, não consegue superar a morte dos pais.A Jú recebe muito amor dela mesmo quando estão separadas.
Mas não é por vingança que também nesses intervalos amo outras mulheres, quase tanto ou mais que Ingrid.
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