Eu, que sou mais revelado pelo que não
falo do que escondido pelo que digo, que tenho no silêncio da consciência
tranquila minha melhor companhia.
Eu, que me alimento de frutos de fogo e
bebo os mares da tranquilidade lunar para sobreviver entre as feras que
escaparam de suas jaulas douradas e estão a espreita para nos devorar a
qualquer momento.
Eu, cujo luz brilha na copa das árvores
das serras azuis e brandas que tremulam no horizonte anunciando a relevância do
dia e o terror da noite.
Eu, que tenho a sombra ainda bailando
oculta entre os cabelos dela que se foi para um reino cuja a rainha será
deposta em breve.
Eu, que preferia viver numa torre de
marfim a ter que conviver com essa escória de notas musicais desafinadas, do
que ser visto como ameaça ao invés de ser percebido como solução.
Eu, que fui mutilado pela máquina de
moer futuros e tive alguns dos meus dedos decepados pelas suas engrenagens
metálicas, que tive minhas janelas quebradas pelas pedras da miséria e que tive
todas minhas portas trancadas pela revolução dos desinteressados em história.
Eu, que bebi veneno pensando ser
antidoto, que edifiquei meu lar no alto da montanha sem saber que lá era a boca
de um vulcão, que mudei de nome para ser menos conhecido porém mais lembrado.
Eu, que escrevo como única solução para
escapar do campo magnético deste planeta.
(Guilherme Ortiz – Ou um pedaço da
minha alma corsária que já não encarna mais em corpo nenhum)
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